Eu não queria

Eu não queria escrever hoje, porque ontem estava tão feliz

Eu não queria, eu não queria sentir o que sinto hoje, porque ontem havia confiança em mim.

O que sobrou é um vazio, não choro, não rio, não consigo expressar, está preso na garganta e no meu olhar sombrio e apático de quem grita em silêncio com arrependimento de seguir meus instintos.

Juro que eu não queria o coração fechar e não mais amar… Queria escrever com amor e alegria uma data especial daqui há alguns dias mas que agora se tornou sombria, duvidosa e dolorosa demais para ser comemorada.

A morte é um abismo sem fim, ainda mais quando se está em vida!

 

Mateus 7.13, 14

Muitas vezes, mas muitas mesmo, me pego pensando que posso estar caminhando para o lado errado das escrituras. Fico procurando versos na palavra de Deus que me respondam claramente se estou ou não observando corretamente as escrituras.

Observo os fundamentalistas, com seus fundamentos tão relevantes e firmados na palavra,  mas lhes falta o básico: AMOR, como se evangelho, amor e respeito ao próximo não pudessem andar juntos. Observo os liberais com fundamentos (a meu ver), cheio de  lacunas e baseados em historicidade não sendo nada tão certo, relativizando tudo e crendo pouco no sobrenatural. Observo também aqueles que estão em cima do muro e buscam viver um evangelho que consiga conciliar a palavra com um viver no mundo de maneira diferente do “mundo”, em busca da paz de espírito envolvendo-se pouco demais com qualquer coisa que os remeta ao evangelho,parecendo-me viver uma vida com pouca atitude de fato. Fora àqueles que largaram de fato a fé pois, as decepções os mataram por dentro!

Estive orando muito durante um bom tempo e custei entender que meu olhar deve estar somente e unicamente em Cristo, então iniciei um processo de compreensão da vida de Cristo, o processo é lento e demorado, talvez eu morra antes de terminá-lo, porém tem me aberto os olhos para tantas questões do meu coração, ainda que muitas estejam com ponto de interrogação.

Como o mestre foi perfeito em todos as suas colocações!!! Jesus viveu com os fundamentalistas, com os liberais e com aqueles que acreditavam viver um evangelho verdadeiro mas seu coração não era de Cristo, como foi o caso do jovem rico.

Cristo não era fundamentalista, apesar de viver nas tradições do seu povo e  respeitar aquilo que era essencial na vida dos judeus da época, ele escandalizou os mestres da lei, por se parecer muitas vezes com um liberal que bebia e comia em festas, falava com prostitutas e pregava o amor acima de qualquer cultura da época, por isso falou tantas vezes com pessoas que jamais um fundamentalista da época falaria.

Jesus não foi um liberal, apesar de levar o amor como peça fundamental para um viver em Deus de verdade pois amando à Deus e ao próximo a lei já estaria se concretizando em nosso dia a dia, Cristo deixa bem claro a importância de se viver uma vida de busca contínua por santidade por sermos um povo corrompido pelo pecado, nunca confiar em nossa própria justiça ou julgamentos, tendo como base primordial, a palavra de Deus que por ele foi estudada durante toda a sua infância assim como qualquer outro menino judeu da época, ele demonstrou a importância da cultura de um povo, mas a maior importância de se viver a verdade da palavra naquela cultura.

Cristo não ficou em cima do muro diante de seus opositores, muito menos negligenciou sua fé somente para ter paz ou ser querido por todos ao seu redor, muito pelo contrário, Ele desde o início teve uma vida difícil, passou por lutas e por provas onde teve que provar que era estudioso da palavra, em outros momentos, demonstrar que não era somente um estudioso mas que havia entendido o sentido da palavra de Deus e em vários outros momentos apenas viveu a palavra que estudara. Ele se esvaziou para nos encher e nos salvar e nunca desistiu do propósito para que veio, apesar das inúmeras acusações e julgamentos que sofreu com os mestres da lei.

Lendo essa passagem tão importante de Mateus 7, percebo plenamente que Deus nos quer diante dEle limpos (apesar de sujos), entendidos (apesar de não compreender tão bem), e dispostos a fazer tudo com amor (apesar de não sabermos o que é o amor). Compreendo que isso não é tão fácil, porque é árduo o trabalho de um Cristão, não porque temos muitos cargos na igreja ou muitos compromissos eclesiásticos, mas porque à cada dia que passa a luta por ser quem Cristo foi (pois devemos imitá-lo), é trabalhosa, é cansativa.

Lutar em busca de justiça aos injustiçados, dar comida aos famintos, vestir os nus, visitar os encarcerados, doar-se, esvaziar-se do próprio querer e colocar o próximo em primazia dos próprios interesses é muito difícil. É uma busca constante e diária de rejeitar o que eu quero e abraçar o que Deus tem para mim. (Isso evita muita depressão).

Compreendi que porta estreita e que caminho apertado NÃO são minhas atitudes diante do próximo, mas sim diante do meu querer, diante das minhas vontades  que na maioria da vezes não serão boas, não serão perfeitas, não serão aquelas que Cristo quer, mas quando me esvazio das minhas vontades, deixo de entrar na porta larga e no caminho amplo, e passo à caminhar para um lugar difícil e conflituoso, porém que me levará à vida plena.

Encontraremos de fato o Cristo, a liberdade e a paz, quando encontrarmos a porta e o caminho estreitos onde não só a nossa vida, mas também nosso caráter é transformado.

Beijos

Flá

Até quando?

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Foto:Andres Martines Casares/Reuters

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…”amar ao próximo da mesma maneira como você se ama”…

Sempre observei as tragédias do mundo com  uma angústia muito forte em meu coração e sentimento de impotência, já chorei e me entristeci pelo ódio, vingança e guerras que a humanidade vem sofrendo e que se alastra cada dia mais.

Compreendo tão pouco o sentido real das palavras fome, pavor e medo que talvez todo meu sentimento se resuma em pura e simplesmente pena, pois continuo impotente e de mãos atadas diante das desgraças que minha raça causa um ao outro.

Continuo na minha vidinha que às vezes é tão humilde, outras vezes é pura ostentação de alimentos e desperdício do pouco que tenho pura e simplesmente por estar plenamente satisfeita, enquanto isso alguns da minha raça passam fome, e não que eu acredite que o meu não desperdício aliviaria a fome deles, mas a minha consciência de alguma maneira me cobra – O que eu, poderia então, fazer para aliviar a dor desses meus irmãos??

Se nós que dizemos ser separados, ter ministérios e missões (como eu), fizéssemos um pouco em prol do próximo, o resultado seria avassalador, o amor transbordaria e com certeza uma grande parte da humanidade deixaria de viver em sofrimento extremo, miséria e medo constante, pois a união faria o amor brotar.

Utopia? Talvez, mas continuarei me cobrando e buscando de alguma maneira cumprir o que meu “coração” me manda fazer…

Deus nos levante, para viver uma vida que não se resuma apenas em consumo, trabalho e morte, mas que nós em coletividade, cooperação e doação de vida, cumpramos o segundo maior mandamento, pois o viver é lucro e o morrer é Cristo.

#oHaitiExiste

Flá.

Ser “MULHER”

carolinadejesus

Sou mulher, sou Cristã, sou mãe, sou esposa, apesar de pecadora, sou tudo isso em Deus e para glória de Deus.
O machismo é algo impregnado e “irraizado” em nossa cultura, infelizmente esse machismo horrendo chega em nossas igrejas e diminui a mulher Cristã, nos colocando em posição desigual e humilhante diante de homens tão falhos como nós.
Assim vejo também o feminismo, que fere aquilo que Deus planejou para nós, porque o meu dono é o meu Deus, que ELE cresça e eu diminua, o meu EU diminua.
Admito que por ser mulher e ver tanta coisa horrível que nos sucede porque somos MULHERES, me pego sendo feminista e tentando de alguma maneira me sobrepor ante alguns acusadores, mas acredito piamente que qualquer ser humano deveria lutar contra todo tipo de opressão e isso não deveria ser de um grupo específico, mas de toda a pessoa que ama seu próximo e principalmente daqueles que se intitulam CRISTÃOS.

Estou triste porque quanto mais o tempo passa, mais vemos novos “fariseus” se levantando! Sim, aqueles que na época do Cristo queriam novamente apedrejar a miserável adúltera (e só ela era apredejada, o homem não), mas foi salva pela misericórdia de Jesus (Jo . 1 ao 11). Lembro-me também daqueles fariseus hipócritas que ficaram espantados de verem uma mulher lavando os pés do mestre e este deixava que ela o tocasse mesmo sabendo quem ela era, dando então uma lição que demonstra todo seu amor e que com certeza escandalizou alguns desses fariseus, afinal eram tão sábios na lei, a lei que a condenava (Lc.7.36 ao 50), a mulher do fluxo de sangue, que tocou-lhe as vestes e foi curada, (era excluída da sociedade MACHISTA, da época), mas Cristo a recolocou novamente na sociedade acusadora e hipócrita a qual ela fazia parte. A mulher Samaritana que tinha vários maridos e nenhuma oportunidade de mudança de vida, quando encontra com o Cristo é vista e respeitada como ser humano, é perdoada e tocada no seu âmago por esse Cristo, a quem dizemos SEGUIR OS PASSOS. O que isso quer dizer? SEGUIR OS PASSOS DO MESTRE?

Digo mais, se todos os exemplo de Cristo, o modo como Ele tratou e amou as mulheres, tudo o que vimos de relatos bíblicos de casos onde mulheres foram agredidas, estupradas, diminuídas e colocadas como objeto de prazer para os homens, se todos esses relatos não comovem o coração de um CRISTÃO hoje e esse mesmo Cristão age de modo como se não houvesse injustiça e igualdade de DIREITOS e DEVERES entre mulheres e homens, creio eu não haver mais nada que mude a dureza do coração desses homens.

Minha oração é que Deus tenha misericórdia de nós mulheres, que sejamos como as mulheres que encontraram com Cristo, bíblicas e ajudadoras de nossos maridos, mães que criam os filhos diante da palavra de Deus, trabalhando dentro e muitas vezes fora de casa também, sábias a tal ponto de abençoarmos a nossa família e edificarmos a nossa casa na rocha que é e sempre será esse Deus que nos amou, apesar de não merecermos.
Que não sejamos conhecidas pelas “louças que lavamos”, mas pelas palavras que falamos e pelos atos de justiça que buscamos em Deus e para a glória de Deus, pela competência que há em nós mulheres, guerreiras e fortes, (não para nossa glória).

Agradeço ao Senhor de toda a glória porque me deu um esposo companheiro, um homem que não tem machismos e que não vê a mulher como um objeto para seu prazer, mas sim como um ser criado à semelhança de Deus, que deve ser respeitada e amada reciprocamente.
é isso. Flá